6 de abril de 2010

Sorriso aberto


. meia colorida - Amanda Machado

Eu estava andando muito rápido, estava atrasada e nada estava dando muito certo. Eu queria correr, mas a minha respiração ofegante já não permitia mais. Eu só sentia o vento e via o céu escurecendo passar pelos meus olhos. Até que uma voz singela, doce, quase musical, interrompeu o meu momento. Disse algo que eu não ouvi, mas alguma coisa me leva a crer que ela ia comprar cigarro. Eu não perguntei a idade, mas minha intuição chuta o número oito. Ela puxou papo, falou que estava indo à padaria, e enquanto eu apressava mais o meu passo, ela quase corria para me acompanhar. Foi ai que notei que ela não surgiu do nada, eu tinha visto ela se aproximar aos poucos, quase saltitando, tentando chegar ao meu lado.
Fomos descendo a rua, quase como se fosse uma corrida, e quando eu virei para um lado e ela para o outro, vi o sorriso, aquele sorriso, que eu ouvira falar semanas antes. Era Jesus que sorria pra mim. Eu tinha sido pega de surpresa, de início não tinha dado muita atenção, mas deixar aquela menina ir, doeu muito. Eu tinha sentido a paz no sorriso dela, eu vi a paz, eu era a paz. E por incrível destino eu nunca mais a vi, assim como, eu não tinha visto antes.
Como a Maria falou do mendigo e do sorriso de Jesus que ela havia admirado, de como ela havia se manifestado para ajudá-lo, como aquele homem tinha marcado a vida dela, depois do que eu vi, eu posso dizer, às vezes, são nas simples coisas da vida que o Senhor se mostra, e se não aproveitarmos esses pequenos pedacinhos de tempo, a nossa chance será perdida. Mal sabe aquela menina, o quanto de Deus ela foi pra mim. E, por mais incrédula que a pessoa seja, ela pode admirar momentos assim, basta não olhar com os olhos, e sim, permitir que o resto veja.
Eu espero que eu tenha aprendido com aquela menina, e que outros vejam que não é só na Igreja que podemos ter um encontro com Jesus, Cristo se mostra sempre, em todo lugar, basta querer ver.
“te amar, por quem não te ama, te adorar, por quem não te adora, esperar, por quem não espera em ti, pelos que não crêem, eu estou aqui...”
P.S: A Semana Santa me fez ver o sacrifício de Jesus de uma forma nova, notar o quanto ele fez por nós e me fez chorar pelo quanto eu não retribuo.
11 de fevereiro de 2010

Minha alma gelada.


. meia colorida - Amanda Machado


Esse texto foi elaborado e escrito antes na minha mente, ou seja, vivenciado no dia 5 de fevereiro de 2010.

Eu acordei cedo, o céu ainda estava escuro mas parecia que aquela ansiedade já me dizia o que iria acontecer. Administrei a ansiedade, dizendo a ela que ela só estava descontrolada daquela maneira pois eu iria acompanhar a minha mãe ao hospital, para que se acalmasse, afinal queria mostrar a fortaleza que eu poderia ser. E pelo menos, eu pareci ser durante aquelas longas horas naquele frio hospital.

Na verdade o meu dia inteiro foi frio. O trem parecia uma geleira, eu já podia sentir algumas partes do meu corpo dormentes, e enquanto caminhava até a praça da Cruz Vermelha, meu corpo ia gelando e uma situação desconfortável ia me tomando.

Quando minha mãe me encaminhou para aquela porta, eu sabia, eu já sabia o que eu iria fazer ali, encontraria um local de atendimento onde faria meu crachá de acompanhante, era o que eu achava que ia fazer, até que uma cena mudou minha vida.

Dei de cara com um salão, lotado de poltronas, uma recepção. Um salão, lotado de pessoas, uma multidão. Um salão, lotado de pessoas apreensivas, uma exaustidão.

Havia o tal local de atendimento, uma fila e tudo mais. Havia muitas pessoas, cara de doentes, alguns idosos, alguns jovens, a maioria com um olhar fundo. Perguntei a minha mãe para quê servia aquela sala e ela me explicou que era ali que as pessoas esperavam enquanto não eram encaminhadas para os seus respectivos exames, aquela era a fase inicial. E enquanto ela me explicava eu não conseguia parar de olhar, aquelas duas poltronas chamavam mais atenção, aquelas duas pessoas chamavam muito mais a minha atenção. a a
Um homem e uma mulher, um casal, era o que parecia. A mulher estava muito debilitada, magra, muito magra, se você já ouviu alguém falar: "fulano é só pele e osso", esquece! Ela era só pele e osso. A mulher parecia tão frágil e ao mesmo tempo tão forte. O homem a abraçava e a olhava com um olhar amoroso, demonstrava carinho e gentileza. Com certeza eram um casal, um casal apaixonado ainda por cima. E o que vinha a minha cabeça era um turbilhão de perguntas.

Como aquele homem, que parecia tão saudável, conseguia continuar a amar aquela mulher, que já não anda, mal consegue se mexer, feia que se tornou? E a resposta vinha de supetão. Ele a amava, e amar não tem porque. Só se ama. E era pelo amor que ele a via linda, maravilhosa, e por amor que ele conseguiu ser a fortaleza no momento que ela precisou. Só pelo amor, o quê mais seria?

Ao ver aquele homem acariciar a mulher, eu vi o amor de verdade, aquele puro. Afinal quem pode dizer que ele fazia aquilo pela aparência, ou por dinheiro, ou por pena. Ele fazia pois é o papel dele, apoiar sua mulher, acompanhar, dar forças, segurar a mão até o último momento..

Não consegui tirar o olho do casal durante o tempo na fila, por fim peguei o crachá e subimos até o terceiro andar. Minha mãe foi ao exame e eu fiquei ali, sentada, sozinha, sentindo frio, solitária. Tentei dormir, não dava. Tentei prestar atenção na conversa das outras pessoas já que eu não tinha com quem conversar e não deu. Horas se passaram. Minha mãe voltou e viemos. Não me arrisquei a olhar para a recepção.

E o frio tomou conta da minha alma.
Espero que todos possam ter um amor que esquente as suas almas!

"..vazio e solidão, meus sonhos foram levados, é só saudade machucando aqui dentro, invade o meu coração, lamento quanto a ilusão" . o tempo vai passar
4 de fevereiro de 2010

Os três mosqueteiros


. meia colorida - Amanda Machado


Eram apenas quatro meninos, um deles, o menorzinho, admirava os outros três, olhava perplexo como se gravasse os movimentos na mente, e mesmo sem notarem os meninos faziam parte de um elenco extraordinário, mal sabiam eles a força que aquelas espadas tinham, ou mal sabia eu. Talvez eu que não tenha visto o quanto àquelas armas, espadas de plástico que eram, tinham importância. Elas os tornavam valentes, eram os príncipes de suas donzelas, os guardiões de seus próprios destinos, com a armadura brilhante e pés descalços.

Eles não só brincavam, como deixavam que o mundo os assistisse, não se importaram quando eu passei e admirei a imagem, nem notaram os meus olhos transbordando lágrimas. Aqueles garotos, tão humildes, na simplicidade da vida que levam, sorriam mais que muitos que não só têm a espada, como o castelo. Os meninos defendiam algo que eu não sei dizer bem o que era, mas aqueles sorrisos explicam tudo.

Eles em muitos momentos de suas vidas terão que retirar essa espada do bolso e com coragem defender os seus, terão que enfrentar o mundo, o preconceito, quebrar tabus e enfrentar mil desafios, e isso é o que eu espero que aconteça. Pois aqueles três mosqueteiros não podem esquecer a alegria de lutar, de ser o dono se seu próprio destino. Mesmo que a floresta, o dragão e a donzela estejam apenas em suas imaginações, a verdade da infância é sonhar. E ser criança é mais uma ciranda. A vida de hoje não permite aos pais que deixem os filhos sonhar, afinal o mundo vai castigá-los no futuro e eles têm que estar alerta. Mas sonhar nos prepara, nos ensina, as lições da verdade são mostradas nos pequenos sonhos. Mesmo que a espada seja de plástico, e o castelo seja só mais um quarto e sala alugado, se a criança puder ser criança, e puder imaginar: ser o espião, o policial, o bombeiro, o super-herói, o rei, o ninja, o cowboy, no final, bem no final ele vai se tornar homem e ver que de sonhos também se constrói futuros.

Declaro aqui que aqueles mosqueteiros me salvaram de um medo terrível, abriram meus olhos para que mesmo com pouco existem aqueles que sabem viver da imaginação, pois quem tem mente e coração aberto, um sorriso estampará sempre.
P.S.: De acordo com o incentivo, mas textos virão!
Beijos, B.P., por me incentivar a escrever.

8 de janeiro de 2010

o mal que cura..


. meia colorida - Amanda Machado
Existem coisas que são impossíveis de serem explicadas, apenas são vivenciadas. Existem pessoas que não só participam da sua vida, como são sua vida. Existem momentos que de tão bons se tornam inesquecíveis, e outros que de tão bons se tornam chatos. Existem dias que o sol nos alimenta ou nos une. E existem sentimentos que só podemos sentir por um e outro, e não por todos.
A mistura das coisas acima tem nome de amizade. Tem nome de fraternidade, igualdade e liberdade. Sinônimo de união, de compaixão e felicidade. Agrupamento de simplicidade e humildade, e amor!
E quem pode descrever amizade? Eu não posso! Sofro na pele com o poder de tal palavra, que ao mesmo tempo que arranca o maior sorriso do meu rosto, derrama mil lágrimas de meus olhos. Ao mesmo tempo que me aninha, me corta os pulsos, me prende e me beija, me deixa pobre e me sorteia. Me corrói e me cura, me morde, me suga, e abraça, e me chama.
Amizade dura, solitária, amor puro, intacto!
Amor de amigo é amor doído.
Te faz sofrer se ele te esquece, te alegra se ele te procura.
Amor de amigo é sentimento perdido.
Interesse trocado, amargurado.
Fazer um amigo é não fazer planos, é deixar que a vida te leve como disse o sambista, é deixar que o seu destino seja guiado pelos Deuses, e que Deuses!
Amigo te cura das piores dores do mundo, mas te pisa com todo o peso do mundo. Amigo te conta as melhores piadas, mas grita nas piores mancadas. Amigo se declara, escreve e canta, amigo xinga, bate e se manda. Amigo vive! Vive com você, ou sem você. Amigos fazem amigos, outros amigos, e te deixam, ou te apresentam.
Amigos, são irmãos que não moram na mesma casa, mas mexem nas suas coisas, pegam emprestadas e as vezes nem devolvem, e muitas vezes, essas coisas nem são coisas, podem ser, namorados.
Amigo é amigo para sempre, mesmo que o sempre acabe, ou que chegue o Alzheimer.
Amo vocês, e vocês sabem disso!
29 de dezembro de 2009

O 12º encontro


. meia colorida - Amanda Machado


Escrito em 29 de Dezembro de 2009 - Não acreditem em tudo escrito abaixo! Por favor!


Eu estava deitada há poucos minutos admirando o azul do céu refletido no vidro da janela, admirada com tal beleza, simples e inglória que por acaso nunca havia percebido, pelo menos, não naquela janela.

Já passam da meia noite e sem conseguir dormir, relembro e reconto os homens que beijei ou tive algum tipo de interesse durante esse ano que está pegando o trem de ida sem volta. Alguns que não merecem todo o ar sério e maduro que a palavra homem emprega, porém todos do sexo masculino.

Penso que no tal, campo amoroso, meu ano só começo no Carnaval, afinal me retive até tal época a pensar sobre meus erros anteriores, melhorei minhas críticas ao arcaico estilo amoroso, o namoro, e me mantive afastada de tal arte. Talvez por levar a sério meus ideais, muito a sério, ou até mesmo por não ter visto um motivo para me corromper.

Os homens por quem me interessei, ou nem tanto assim, homens não, os indivíduos, se unidos, dariam a pessoa perfeita, eu acho...

Do nº 1 tiraria o jeito fácil e sereno que um homem precisa ter ao aceitar meus ideais e minhas reflexões, e o jeito de beijar minha bochecha de leve que me encantou, já do nº 2 tiraria o jeito intimidador que ele têm e que me fez rir, rir não, gargalhar... Do nº 3, além da grande amizade, o jeito irreverente de me deixar apaixonada conta muito, não que os olhos dele não tenha valor, e do nº 4 o beijo calmo e tranquilo, e a vontade que ele tinha de me ouvir, além da pele macia ao me tocar, e para poder respirar um pouco, do nº 5, tomaria a sede que ele tinha ao me segurar, talvez por desejo reprimido... chamarei de desejo, apenas.

A partir daqui, se inicia uma nova fase... Do nº 6, a cara de pau e o modo assustador de me intimidar, ficaria perfeito, no homem perfeito, e do nº 7, a descrição, porém não poderia dizer mais, afinal foram 3 segundos apenas. Do nº 8, ha! Diria que dele quero os cabelos, a conversa, o modo de falar e de conseguir me enganar facilmente, ou pelo menos achar que me enganou... Do nº 9, não o conheço , mas a determinação ao não desistir me admirou!

E aqui se rompe alguns conceitos e se inicia outra fase. Do nº 10, quero a maneira de me olhar, de se aprofundar em meus olhos e a profundidade no olhar dele que me consumiu. Do nº 11, como toque final, o jeito de aceitar, de viver o mesmo que eu, de lembrar sem lembranças.

Se há uma coisa de que me lembro bem e que de todos me fascinam e fascinará, não só os de 2009, mas da vida, que seus sorrisos prevaleçam em minha vida e na de quem quer que seja, o melhor que há em TODOS e que me consumia ao olhar.

Mesmo que namorar não seja o meu ritmo, que eu consiga sentir de novo como é bom ter de quem lembrar na hora de dormir e que eu sorria, e que as lágrimas que secam no meu travesseiro agora, sejam trocadas por algo bom, mesmo que sejam sonhos.

Feliz 2009 e um maravilhoso 2010 para todos... e que os números de vocês sejam inesquecíveis como os meus, de importância e inesquecíveis!


Ouvindo: Maria Gadu - Linda Rosa

... e pobre desses rapazes que tentam lhe fazer feliz (