27 de maio de 2010

27 de maio de 1998


. meia colorida - Amanda Machado

Escrito em 29 de maio de 2009

Voltando a cada sorriso, cada momento já descrito, deixo claro que apesar dos amigos, sempre me senti muito solitária, e, talvez por esse motivo, ciúme e invejinha de meus primos, eu, há 11 anos tenha desejado uma irmã.
Essa história começou nas férias de julho de 1997. Minha prima, Sabrina, havia ganhado uma irmãzinha, e era tão bonitinho vê-la sendo a "mocinha" e carregando sua "boneca" por todos os cantos. Lalá, este era o nome da "boneca", logo se transformou em minha companhia frequente, e, por acaso, ou não, anteriormente ao nascimento da Larissa, meu primo Paulinho nascera, e era um bebezinho fofo e brincalhão. Unido aos dois pequenos, havia a Ingrid, filha da Janaina, que veio ao mesmo tempo em que o meu desejo, ou seja, com todo aquele clima "baby", eu queria um irmãozinho e queria muito!
Em pouco tempo, formalizei meu pedido aos meus pais e eles logo começaram a tentar realizar meu pedido. Assim, no período de agosto de 1997, meus pais finalizaram o projeto e semanas depois, confirmado, eu tinha meu pedido atendido. Ficamos pouco tempo no Rio depois da notícia, pois para finalizar a mudança de vida, nos mudamos para Minas, mais especificamente para a casa da minha avó, eu, minha mãe e o bebê.
Estudei durante os meses da gravidez à distância, meu pai me visitava de 15 em 15 dias, e no curto tempo que ele estava conosco, eu o abraçava, o irritava e fazia os trabalhos escolares da semana. Passei meu aniversário de 1998 lá, e lembro como se fosse hoje de antecipar minha festa para que meu pai pudesse participar, e então, eu tinha 5 anos.
Nesse período, surgiu o ciúme. Tudo era para minha irmã, sim, era uma menina, e eu havia decidido que ela se chamaria Alice, pois eu amava o filme da Disney, Alice no país das Maravilhas, eu não só amava como era viciada.
Na morada em Minas, vivi emoções incríveis, acompanhada sempre da minha prima, Sabrina, nos divertíamos muito e inventávamos aventuras inesquecíveis no quintal da casa dos meus bisavós. Nessa época até que consegui ser feliz e criança, apesar dos problemas e de me sentir esquecida.
Eu sentia que piorava a cada dia o meu abandono, o ápice foi quando a minha tia, até o momento a única pessoa que me acompanhava e demonstrava carinho, escorregou na cachoeira e deslocou o ombro, pronto, minha vida se tornou completa. Minha avó operou e nada podia fazer, minha mãe, grávida e cheia de problemas tinha que cuidar da minha avó, e minha tia... Quem ia cuidar de mim? E os meus cabelos, quem ia pentear meus cabelos?

Depois que minha irmã nasceu, apesar de ter sido meu pedido, meu desejo, eu não estava alegre. Estava feliz, afinal, eu tinha uma irmã, mas eu me sentia no canto, sozinha e para os meus dias não havia amor sobrando. Após complicações demasiadas que não justifica muito, voltamos ao Rio, ainda não me restava muita atenção, mas eu estava na minha casa, na minha escola, com meus novos amigos e na minha casa nova, era por parte o meu momento, o momento de ter novas histórias, e agradeço a Deus por Priscila, Michelle e Thaisa terem entrado na minha vida, pois me ajudaram muito a me acostumar com essa nova realidade.



Minha irmã, nunca foi com a minha cara, vivia me batendo e literalmente, furando meu olho (ela mordeu o meu rosto na região dos olhos). Minha irmã retirou de minhas mãos todo o poderio, que era meu, do meu lar e da minha família. "Roubou" com meu consentimento os meus pais, ou seja, tudo que eu sempre achei que teria para sempre.
Demorei a compreender que tudo ainda era meu, e que devia aprender a dividir com aquele serzinho, tudo, afinal eu não resistiria àqueles olhos. Quem conhece nossa história e vivenciou tudo isso, sabe que apesar do amor, eu e Alice, não conseguimos ficar muito tempo juntas, sem brigar, e que a cobrança entre nós é intensa.
Este texto se deu graças a lembranças reveladas pelo aniversário da minha irmã, e, aqui dedico todo meu amor, ajuda e companhia que ela precisa. Alice, apesar de todos os momentos descritos e não descritos, eu amo você, e nada que aconteça conosco vai fazer com que eu me arrependa de ter desejado o seu nascimento, desejado você!

Eu te amo muito, e parabéns de novo! O que foi escrito há 1 ano ainda vale para hoje e valerá até o fim da minha vida.
15 de maio de 2010

Nacional: A soma dos fatores




. meia colorida - Amanda Machado

Texto escrito no dia 5 de maio de 2010

As características de um país estão vinculadas a algo chamado de cultura nacional. O que se come, como se fala, o que se veste, tudo está agregado a uma cultura que não é só regional, mas de alguma forma é do "todo", até mesmo das pessoas que não se comportam de acordo. Com a Literatura não é diferente. O que se escreve em um dado momento em determinada região do país é direcionado às demais regiões e se instala como se aquilo tivesse surgido ali.
É uma questão cultural brasileira transformar tudo que aparece em "nosso", da mesma maneira que transforma o regional em nacional. Um exemplo de extensão cultural é a música brasileira, não se pode dizer que o samba é do Rio de Janeiro ou que o axé é baiano, quando se encontra inúmeros shows de axé no Rio e creio eu que na Bahia deve haver rodinhas de samba.
Na Literatura, essa extensão pode demorar mais para acontecer, mas acontece. Um estilo que surge no nordeste e ganha destaque, em pouco tempo chegará aos ouvidos de escritores paulistas, que irão estudar e compreender a origem do estilo, podendo surgir um novo adepto àquela maneira nova de escrever. O que determina o impacto de tais extensões e até mesmo transformações no estilo literário é a maneira que a informação circula entre as regiões e o interesse imediato da sociedade brasileira.


A verdade é que o Brasil não é rodinhas onde cada um toca o seu batuque, o Brasil é um país de diferenças que determina a igualdade e nada que nasça aqui, morrerá aqui sem ter sido citado em outro lugar. O brasileiro é assim, gosta de mostrar, de misturar, e se não fosse essa mania de mistura talvez não tivéssemos abrigado tantos escritores brilhantes, cada um com seu estilo de escrever e sua forma de expressar coisas tão iguais, cada um contribuindo aos poucos e com suas próprias mãos a cultura que eu posso chamar de minha.

"... aqui estou na difícil missão de levar a você uma mensagem que possa ser como uma luz ou um mantra, nós não somos mais crianças, um dia acontece a gente tem que crescer, temos que encarar a responsa, eu não deixei de achar graça nas coisas, simplesmente hoje eu quero ser levado a sério, as coisas mudam sempre, mas a vida não é só como eu espero, existe um dom natural que todos temos, nossas escolhas vão dizer pra onde iremos" .cbj
6 de abril de 2010

Sorriso aberto


. meia colorida - Amanda Machado

Eu estava andando muito rápido, estava atrasada e nada estava dando muito certo. Eu queria correr, mas a minha respiração ofegante já não permitia mais. Eu só sentia o vento e via o céu escurecendo passar pelos meus olhos. Até que uma voz singela, doce, quase musical, interrompeu o meu momento. Disse algo que eu não ouvi, mas alguma coisa me leva a crer que ela ia comprar cigarro. Eu não perguntei a idade, mas minha intuição chuta o número oito. Ela puxou papo, falou que estava indo à padaria, e enquanto eu apressava mais o meu passo, ela quase corria para me acompanhar. Foi ai que notei que ela não surgiu do nada, eu tinha visto ela se aproximar aos poucos, quase saltitando, tentando chegar ao meu lado.
Fomos descendo a rua, quase como se fosse uma corrida, e quando eu virei para um lado e ela para o outro, vi o sorriso, aquele sorriso, que eu ouvira falar semanas antes. Era Jesus que sorria pra mim. Eu tinha sido pega de surpresa, de início não tinha dado muita atenção, mas deixar aquela menina ir, doeu muito. Eu tinha sentido a paz no sorriso dela, eu vi a paz, eu era a paz. E por incrível destino eu nunca mais a vi, assim como, eu não tinha visto antes.
Como a Maria falou do mendigo e do sorriso de Jesus que ela havia admirado, de como ela havia se manifestado para ajudá-lo, como aquele homem tinha marcado a vida dela, depois do que eu vi, eu posso dizer, às vezes, são nas simples coisas da vida que o Senhor se mostra, e se não aproveitarmos esses pequenos pedacinhos de tempo, a nossa chance será perdida. Mal sabe aquela menina, o quanto de Deus ela foi pra mim. E, por mais incrédula que a pessoa seja, ela pode admirar momentos assim, basta não olhar com os olhos, e sim, permitir que o resto veja.
Eu espero que eu tenha aprendido com aquela menina, e que outros vejam que não é só na Igreja que podemos ter um encontro com Jesus, Cristo se mostra sempre, em todo lugar, basta querer ver.
“te amar, por quem não te ama, te adorar, por quem não te adora, esperar, por quem não espera em ti, pelos que não crêem, eu estou aqui...”
P.S: A Semana Santa me fez ver o sacrifício de Jesus de uma forma nova, notar o quanto ele fez por nós e me fez chorar pelo quanto eu não retribuo.
11 de fevereiro de 2010

Minha alma gelada.


. meia colorida - Amanda Machado


Esse texto foi elaborado e escrito antes na minha mente, ou seja, vivenciado no dia 5 de fevereiro de 2010.

Eu acordei cedo, o céu ainda estava escuro mas parecia que aquela ansiedade já me dizia o que iria acontecer. Administrei a ansiedade, dizendo a ela que ela só estava descontrolada daquela maneira pois eu iria acompanhar a minha mãe ao hospital, para que se acalmasse, afinal queria mostrar a fortaleza que eu poderia ser. E pelo menos, eu pareci ser durante aquelas longas horas naquele frio hospital.

Na verdade o meu dia inteiro foi frio. O trem parecia uma geleira, eu já podia sentir algumas partes do meu corpo dormentes, e enquanto caminhava até a praça da Cruz Vermelha, meu corpo ia gelando e uma situação desconfortável ia me tomando.

Quando minha mãe me encaminhou para aquela porta, eu sabia, eu já sabia o que eu iria fazer ali, encontraria um local de atendimento onde faria meu crachá de acompanhante, era o que eu achava que ia fazer, até que uma cena mudou minha vida.

Dei de cara com um salão, lotado de poltronas, uma recepção. Um salão, lotado de pessoas, uma multidão. Um salão, lotado de pessoas apreensivas, uma exaustidão.

Havia o tal local de atendimento, uma fila e tudo mais. Havia muitas pessoas, cara de doentes, alguns idosos, alguns jovens, a maioria com um olhar fundo. Perguntei a minha mãe para quê servia aquela sala e ela me explicou que era ali que as pessoas esperavam enquanto não eram encaminhadas para os seus respectivos exames, aquela era a fase inicial. E enquanto ela me explicava eu não conseguia parar de olhar, aquelas duas poltronas chamavam mais atenção, aquelas duas pessoas chamavam muito mais a minha atenção. a a
Um homem e uma mulher, um casal, era o que parecia. A mulher estava muito debilitada, magra, muito magra, se você já ouviu alguém falar: "fulano é só pele e osso", esquece! Ela era só pele e osso. A mulher parecia tão frágil e ao mesmo tempo tão forte. O homem a abraçava e a olhava com um olhar amoroso, demonstrava carinho e gentileza. Com certeza eram um casal, um casal apaixonado ainda por cima. E o que vinha a minha cabeça era um turbilhão de perguntas.

Como aquele homem, que parecia tão saudável, conseguia continuar a amar aquela mulher, que já não anda, mal consegue se mexer, feia que se tornou? E a resposta vinha de supetão. Ele a amava, e amar não tem porque. Só se ama. E era pelo amor que ele a via linda, maravilhosa, e por amor que ele conseguiu ser a fortaleza no momento que ela precisou. Só pelo amor, o quê mais seria?

Ao ver aquele homem acariciar a mulher, eu vi o amor de verdade, aquele puro. Afinal quem pode dizer que ele fazia aquilo pela aparência, ou por dinheiro, ou por pena. Ele fazia pois é o papel dele, apoiar sua mulher, acompanhar, dar forças, segurar a mão até o último momento..

Não consegui tirar o olho do casal durante o tempo na fila, por fim peguei o crachá e subimos até o terceiro andar. Minha mãe foi ao exame e eu fiquei ali, sentada, sozinha, sentindo frio, solitária. Tentei dormir, não dava. Tentei prestar atenção na conversa das outras pessoas já que eu não tinha com quem conversar e não deu. Horas se passaram. Minha mãe voltou e viemos. Não me arrisquei a olhar para a recepção.

E o frio tomou conta da minha alma.
Espero que todos possam ter um amor que esquente as suas almas!

"..vazio e solidão, meus sonhos foram levados, é só saudade machucando aqui dentro, invade o meu coração, lamento quanto a ilusão" . o tempo vai passar
4 de fevereiro de 2010

Os três mosqueteiros


. meia colorida - Amanda Machado


Eram apenas quatro meninos, um deles, o menorzinho, admirava os outros três, olhava perplexo como se gravasse os movimentos na mente, e mesmo sem notarem os meninos faziam parte de um elenco extraordinário, mal sabiam eles a força que aquelas espadas tinham, ou mal sabia eu. Talvez eu que não tenha visto o quanto àquelas armas, espadas de plástico que eram, tinham importância. Elas os tornavam valentes, eram os príncipes de suas donzelas, os guardiões de seus próprios destinos, com a armadura brilhante e pés descalços.

Eles não só brincavam, como deixavam que o mundo os assistisse, não se importaram quando eu passei e admirei a imagem, nem notaram os meus olhos transbordando lágrimas. Aqueles garotos, tão humildes, na simplicidade da vida que levam, sorriam mais que muitos que não só têm a espada, como o castelo. Os meninos defendiam algo que eu não sei dizer bem o que era, mas aqueles sorrisos explicam tudo.

Eles em muitos momentos de suas vidas terão que retirar essa espada do bolso e com coragem defender os seus, terão que enfrentar o mundo, o preconceito, quebrar tabus e enfrentar mil desafios, e isso é o que eu espero que aconteça. Pois aqueles três mosqueteiros não podem esquecer a alegria de lutar, de ser o dono se seu próprio destino. Mesmo que a floresta, o dragão e a donzela estejam apenas em suas imaginações, a verdade da infância é sonhar. E ser criança é mais uma ciranda. A vida de hoje não permite aos pais que deixem os filhos sonhar, afinal o mundo vai castigá-los no futuro e eles têm que estar alerta. Mas sonhar nos prepara, nos ensina, as lições da verdade são mostradas nos pequenos sonhos. Mesmo que a espada seja de plástico, e o castelo seja só mais um quarto e sala alugado, se a criança puder ser criança, e puder imaginar: ser o espião, o policial, o bombeiro, o super-herói, o rei, o ninja, o cowboy, no final, bem no final ele vai se tornar homem e ver que de sonhos também se constrói futuros.

Declaro aqui que aqueles mosqueteiros me salvaram de um medo terrível, abriram meus olhos para que mesmo com pouco existem aqueles que sabem viver da imaginação, pois quem tem mente e coração aberto, um sorriso estampará sempre.
P.S.: De acordo com o incentivo, mas textos virão!
Beijos, B.P., por me incentivar a escrever.