10 de setembro de 2010

...pode ser o último detalhe



. meia colorida - Amanda Machado

Quando espiei com os olhos vi algo mais que distante, notei que não conseguiria me aproximar, eu consideraria aquilo impossível independente da circunstância, eu já tinha decorado a minha fala, sabia o que fazer, mas meu corpo me impedia, tentava me deter com unhas e dentes, eu queria levantar, mas não conseguia, algo me segurava e me mantinha em meu lugar enquanto minha mente ia se fechando e meu coração acelerando.
Chega, pergunta, argumenta, e lá se vai mais um ser em outra direção. Meu coração perde o rumo e eu mal consigo respirar, eu quero falar, quero entender, quero chorar. Quero mais que isso, quero um pouco de sol, pouco menos de chuva.
Minhas mãos tremem e meu estômago clama minha atenção, pede calma, mas a pressão no meu interior é tamanha que não consigo ouvir, a pressão se prende em minha boca e me faz querer chorar, me faz lembrar, eu quero parar!
Acabou, é o fim, eu não vou conseguir!
Acabou, é o fim, eu não vou conseguir.
Acabou, é o fim, eu não vou...
Eu não consigo admitir o que eu quero, eu não consigo admitir NADA, eu mal consigo me aceitar.


"não esqueça, não guarde, pode ser o último detalhe..."
Eu sei que nada foi perdido sem motivo, mas eu também sei que eu não sei como reaver as coisas. E minha mente berra: Pense, fale, ouça, viva!
O quê eu vou fazer? Perder-me? Vou plantar coragem...
Não dá para entender, só sei que quero.

"por mais que eu queira, eu nunca chego no horário, eu perco tudo que eu ponho no armário" - Leoni
1 de setembro de 2010

Abre chaves.


. meia colorida - Amanda Machado

Há pessoas que só de olhar você já as vê como amigas, e elas no fim de um dia já são realmente amigas, e no fim de uma semana, são confiáveis, e no fim de um mês, são para sempre. Essa é uma forma louca e boa de fazer amigos, e, é assim que normalmente eu faço amigos. Mas há pouco mais de um mês eu descobri uma nova forma de se fazer amigos. Há pessoas que você conhece há anos, que você já direcionou a atenção a ela umas cem vezes, e já falou com ela pelo menos trinta vezes, mas elas não são suas amigas, elas são literalmente um rosto conhecido, e ai, como em um estalar de dedos elas se firmam na sua vida, podendo ser durante uma semana, ou durante quinze dias, o importante é que ela se fixa tanto que se torna mais que um rosto, mas um corpo amigo, e deixa de ser simples, para ser algo bem mais complexo.
E foi assim com a pessoa que me inspira para criar esse texto. Não foi bem assim, mas posso declarar que foi bem mais complexo que linguagem C.
Eu descobri na figura dele uma pessoa inteligente, boa, engraçada e criativa. Descobri qualidades e alguns defeitos. Descobri um pouco sobre o futuro, quase nada sobre o passado e muito pouco sobre o presente. Vi delicadamente a grosseria em seus olhos, e grosseiramente vi delicadeza em determinadas atitudes. O vi esperto, ingênuo e simples, e o vi bem mais que isso, talvez eu não tenha o visto.
Falar com ele, e driblar a pressão quanto a promessa de um texto me fez ver que ele não desiste, e me fez ver que seria mais difícil do que eu pensava. Eu quis dizer que nunca iria fazer, mas ai veio um turbilhão de ideias na minha cabeça as quais agora eu desprezo.
Com ele, eu quis ser útil e habilidosa, tentei ser agradável. As coisas que acontecem com o passar de pouco tempo também podem marcar, e marcaram. Ele me fez rir, e me fez me sentir bem, me ajudou, me ensinou, e riu das minhas bobeiras. Ele não é só mais um colega de classe, ele agora é meu amigo, e acho que ele permite ser chamado assim.
Eu desejo e espero que a vida dele seja incrível, que ele tenha filhos e que não seja solitário. Espero que ele seja um diplomata melhor que o chocolate (meio difícil né?) e que eu sempre possa ter conversas agradáveis, como as no meio da aula por intermédio de uma folha de caderno. Eu espero que ele se concentre mais nas aulas e que eu não esteja atrapalhando. Eu espero esperar.
Igor Serra Ni... qualquer coisa, eu gostei de ser sua dupla, deu pra notar né?

Um pedacinho do outro texto: "Como algo como telecomunicações, remetendo a ideia de comunicação à distância pode aproximar pessoas? Como uma complexa linguagem C, pode se tornar a linguagem de duas pessoas? (...) não algo que é propagado para todos, mas algo que fica só conosco, um canal à parte. (...) da mesma maneira que sei que melhor que dizer que gostei de você é comparar o nosso laço a toda área possível de telecomunicações, sim, mantenha-se em sua célula! fecha parênteses, ponto e vírgula."
27 de junho de 2010

O som da liberdade


. meia colorida - Amanda Machado

Texto escrito no dia 9 de junho de 2010

Com os pés apoiados nas pedras, admiro o local considerado um dos cenários mais belos da cidade. Examinando a cor do mar, as pessoas que passam e o toque urbano da paisagem natural, me toma uma sensação de saudade, tristeza e solidão que já conheço e reconheço ser de determinadas lembranças, uma sensação que transborda e se faz lágrimas.
Olho o mar e o reverencio, o respeito, admiro de longe, sequer o toco, admito sua força e enquanto olho, o amaldiçôo por ter levado algo tão grandioso da minha vida. Minhas maldições são levadas pelo vento e minhas lágrimas se secam quando ouço um simples som. Direciono-me a procurar de onde o som vem e enxergo um pássaro próximo à pedra onde me apoio. Penso em me aproximar, mas a ideia de vê-lo ir embora me amedronta, afinal, aquele som me trouxe felicidade. Alguns minutos se passam e percebo que o pássaro não saiu do lugar, desconfio que ele tenha me percebido e talvez tenha notado o quanto me fez bem. Durante minha reflexão, o pássaro levanta vôo e o vôo curto me faz enxergar algo que eu já conhecia a liberdade.
O pássaro devia pertencer a alguém que mora bem perto dali, pois parecia já conhecer o lugar e enquanto eu fazia uma prece de agradecimento pela existência daquele pequeno ser da natureza, eu me libertava do medo e insegurança que sempre sentimos quando perdemos algo ou alguém especial e que eu sentia. A prece me fez entender que apesar de coisas que amamos serem levadas, pequenas recompensas nos são oferecidas todos os dias e que simples coisas se fazem sinal. O sol incomodando meus olhos era um sinal de que devia voltar para casa.


- ..quando bate a saudade eu vou para o mar, fecho meus olhos e vejo você chegar.. nas noites escuras de frio, chorei, meu caminho só meu Deus pode guiar, meu caminho só meu Pai, meu caminho só meu Deus, meu caminho só meu Deus, meu caminho só meu Deus.. (
27 de maio de 2010

27 de maio de 1998


. meia colorida - Amanda Machado

Escrito em 29 de maio de 2009

Voltando a cada sorriso, cada momento já descrito, deixo claro que apesar dos amigos, sempre me senti muito solitária, e, talvez por esse motivo, ciúme e invejinha de meus primos, eu, há 11 anos tenha desejado uma irmã.
Essa história começou nas férias de julho de 1997. Minha prima, Sabrina, havia ganhado uma irmãzinha, e era tão bonitinho vê-la sendo a "mocinha" e carregando sua "boneca" por todos os cantos. Lalá, este era o nome da "boneca", logo se transformou em minha companhia frequente, e, por acaso, ou não, anteriormente ao nascimento da Larissa, meu primo Paulinho nascera, e era um bebezinho fofo e brincalhão. Unido aos dois pequenos, havia a Ingrid, filha da Janaina, que veio ao mesmo tempo em que o meu desejo, ou seja, com todo aquele clima "baby", eu queria um irmãozinho e queria muito!
Em pouco tempo, formalizei meu pedido aos meus pais e eles logo começaram a tentar realizar meu pedido. Assim, no período de agosto de 1997, meus pais finalizaram o projeto e semanas depois, confirmado, eu tinha meu pedido atendido. Ficamos pouco tempo no Rio depois da notícia, pois para finalizar a mudança de vida, nos mudamos para Minas, mais especificamente para a casa da minha avó, eu, minha mãe e o bebê.
Estudei durante os meses da gravidez à distância, meu pai me visitava de 15 em 15 dias, e no curto tempo que ele estava conosco, eu o abraçava, o irritava e fazia os trabalhos escolares da semana. Passei meu aniversário de 1998 lá, e lembro como se fosse hoje de antecipar minha festa para que meu pai pudesse participar, e então, eu tinha 5 anos.
Nesse período, surgiu o ciúme. Tudo era para minha irmã, sim, era uma menina, e eu havia decidido que ela se chamaria Alice, pois eu amava o filme da Disney, Alice no país das Maravilhas, eu não só amava como era viciada.
Na morada em Minas, vivi emoções incríveis, acompanhada sempre da minha prima, Sabrina, nos divertíamos muito e inventávamos aventuras inesquecíveis no quintal da casa dos meus bisavós. Nessa época até que consegui ser feliz e criança, apesar dos problemas e de me sentir esquecida.
Eu sentia que piorava a cada dia o meu abandono, o ápice foi quando a minha tia, até o momento a única pessoa que me acompanhava e demonstrava carinho, escorregou na cachoeira e deslocou o ombro, pronto, minha vida se tornou completa. Minha avó operou e nada podia fazer, minha mãe, grávida e cheia de problemas tinha que cuidar da minha avó, e minha tia... Quem ia cuidar de mim? E os meus cabelos, quem ia pentear meus cabelos?

Depois que minha irmã nasceu, apesar de ter sido meu pedido, meu desejo, eu não estava alegre. Estava feliz, afinal, eu tinha uma irmã, mas eu me sentia no canto, sozinha e para os meus dias não havia amor sobrando. Após complicações demasiadas que não justifica muito, voltamos ao Rio, ainda não me restava muita atenção, mas eu estava na minha casa, na minha escola, com meus novos amigos e na minha casa nova, era por parte o meu momento, o momento de ter novas histórias, e agradeço a Deus por Priscila, Michelle e Thaisa terem entrado na minha vida, pois me ajudaram muito a me acostumar com essa nova realidade.



Minha irmã, nunca foi com a minha cara, vivia me batendo e literalmente, furando meu olho (ela mordeu o meu rosto na região dos olhos). Minha irmã retirou de minhas mãos todo o poderio, que era meu, do meu lar e da minha família. "Roubou" com meu consentimento os meus pais, ou seja, tudo que eu sempre achei que teria para sempre.
Demorei a compreender que tudo ainda era meu, e que devia aprender a dividir com aquele serzinho, tudo, afinal eu não resistiria àqueles olhos. Quem conhece nossa história e vivenciou tudo isso, sabe que apesar do amor, eu e Alice, não conseguimos ficar muito tempo juntas, sem brigar, e que a cobrança entre nós é intensa.
Este texto se deu graças a lembranças reveladas pelo aniversário da minha irmã, e, aqui dedico todo meu amor, ajuda e companhia que ela precisa. Alice, apesar de todos os momentos descritos e não descritos, eu amo você, e nada que aconteça conosco vai fazer com que eu me arrependa de ter desejado o seu nascimento, desejado você!

Eu te amo muito, e parabéns de novo! O que foi escrito há 1 ano ainda vale para hoje e valerá até o fim da minha vida.
15 de maio de 2010

Nacional: A soma dos fatores




. meia colorida - Amanda Machado

Texto escrito no dia 5 de maio de 2010

As características de um país estão vinculadas a algo chamado de cultura nacional. O que se come, como se fala, o que se veste, tudo está agregado a uma cultura que não é só regional, mas de alguma forma é do "todo", até mesmo das pessoas que não se comportam de acordo. Com a Literatura não é diferente. O que se escreve em um dado momento em determinada região do país é direcionado às demais regiões e se instala como se aquilo tivesse surgido ali.
É uma questão cultural brasileira transformar tudo que aparece em "nosso", da mesma maneira que transforma o regional em nacional. Um exemplo de extensão cultural é a música brasileira, não se pode dizer que o samba é do Rio de Janeiro ou que o axé é baiano, quando se encontra inúmeros shows de axé no Rio e creio eu que na Bahia deve haver rodinhas de samba.
Na Literatura, essa extensão pode demorar mais para acontecer, mas acontece. Um estilo que surge no nordeste e ganha destaque, em pouco tempo chegará aos ouvidos de escritores paulistas, que irão estudar e compreender a origem do estilo, podendo surgir um novo adepto àquela maneira nova de escrever. O que determina o impacto de tais extensões e até mesmo transformações no estilo literário é a maneira que a informação circula entre as regiões e o interesse imediato da sociedade brasileira.


A verdade é que o Brasil não é rodinhas onde cada um toca o seu batuque, o Brasil é um país de diferenças que determina a igualdade e nada que nasça aqui, morrerá aqui sem ter sido citado em outro lugar. O brasileiro é assim, gosta de mostrar, de misturar, e se não fosse essa mania de mistura talvez não tivéssemos abrigado tantos escritores brilhantes, cada um com seu estilo de escrever e sua forma de expressar coisas tão iguais, cada um contribuindo aos poucos e com suas próprias mãos a cultura que eu posso chamar de minha.

"... aqui estou na difícil missão de levar a você uma mensagem que possa ser como uma luz ou um mantra, nós não somos mais crianças, um dia acontece a gente tem que crescer, temos que encarar a responsa, eu não deixei de achar graça nas coisas, simplesmente hoje eu quero ser levado a sério, as coisas mudam sempre, mas a vida não é só como eu espero, existe um dom natural que todos temos, nossas escolhas vão dizer pra onde iremos" .cbj