18 de dezembro de 2011

Renovando as esperanças

. meia colorida - Amanda Machado


Todo dezembro eu realizo “aquele ritual” de escrever um texto com uma mensagem de boas vindas a uma vida nova. Vamos ao ritual.

Esse ano, como alguns outros da minha vida, eu estou participando de uma novena de natal, eu realmente gosto de novenas, eu realmente gosto dos livrinhos, das orações, das conversas, dos gestos. Eu realmente gosto das pessoas que participam da novena junto a mim. E, é a partir daí que o ritual se torna claro. As pessoas. Algumas delas já fizeram novenas de natal outras vezes comigo, algumas delas já me conhecem há vários natais, e, esse é o encanto das novenas, unir.

Eu já estive muito mais feliz na minha Igreja, eu já estive muito mais satisfeita. Eu já vi mais união, e já tive mais amigos. Eu tinha mais planos, mais sonhos, mais amor. Agora talvez eu esteja vivendo uma grande mudança, ou, a minha Igreja esteja mudando, eu sonho mais com a segunda. É que tanta coisa mudou, estou sentindo falta de sonho nos olhos de algumas pessoas. Sonho no amor de Deus. Talvez só amor pelo sonho.

Eu já sonhei mais, mas a minha fé não diminuiu e eu continuo crendo que o Espírito do amor de Deus, pode fazer de todas essas mudanças coisas melhores, o Espírito que nos leva a falar, a orar, a adorar, a amar, o Espírito que derrama lágrimas pelos nossos olhos, o que não pede permissão, o que te leva ao chão para que você sinta e veja o que não quer ver.  O meu Deus vivo pode tornar toda e qualquer estrutura viva n’Ele.

E, é toda essa vivacidade que me torna crente apesar de toda dificuldade que me aparece. E eu desejo que meu próximo ano seja mais cheio de Deus, mais cheio de amigos, cheio de novidades, cheio de projetos novos, cheio de alegria, de união, de família, de voz, de música. Eu desejo que eu consiga levar o amor, que eu consiga viver o amor e senti-lo mais aqui dentro, onde a dor insiste em habitar algumas vezes.  O importante é não desacreditar, é confiar sempre que o que você deseja pode ser real se for vivido na verdade absoluta e que o que só quer fazer o bem é sempre ouvido. Todos nós podemos ser o que queremos!
17 de novembro de 2011

Azar de amar

. meia colorida - Amanda Machado

  Ela ia com o passo firme, longas passadas e a vantagem de chegar em um local que já estava cheio. Ela chegou com o olhar duro e entristeceu ao olhar aqueles olhos. Ela riu, brincou, dançou, conversou, mas enquanto fingia muitas coisas, chorava por dentro. Ela sentiu vontade de passar as mãos  nas costas dele, sentiu vontade de esbarrar o nariz no dele, sentiu vontade de tocar nele, lembrou de todos os dias, de todos os momentos. Aguentou calada, buscou a força e fez cara de felicidade.
  Ela foi para casa e chorou, de novo, chorou o amor que ela não podia viver, chorou o amor jogado no lixo, chorou o que ela não era e o que a outra era e ela não, chorou a noite toda. Chorou porque dói demais não poder tocar a pessoa que você ama e porque dói ser ignorada por quem você ama. Ela se questionou se algum dia havia sido importante para aquele ser amado, chegou a conclusão que nunca fora nada aos olhos do seu amado, nada mais que uma garota de uma vez ou outra. Como fora capaz de amá-lo?
  E todo amor do mundo estava dentro dela, e fora também, abriu a revista e pediu aos céus que algo lhe fosse dito ali, leu a coluna e era um pouco sobre ela, falava sobre pessoas solteiras que se dizem felizes solteiras mas acabam se sentindo inferiores e a espera de um namorado - que na maior parte das vezes nem precisa ser uma pessoa para se amar - e confundem os sentidos, de amor, namorar e tudo mais.
  Chorou tudo que não havia falado, chorou por se sentir rejeitada, todos os dias, chorou por se sentir uma boba, feia, tola e sensível demais. E por ser ela, daquela maneira, chorou até dormir e acordou e viveu tudo o que podia.
  Ser rejeitado é duro, dói, e pode tornar uma pessoa boa a pior do mundo, mas se alguém escolheu não te querer não adianta insistir, não posso obrigar alguém a me amar, mas... Um dia ela já vai achar um cara que lhe queira como você não quis fazer, sim eu sei que ela só vai achar alguém pra vida inteira como você não quis¹. Amar pra sempre existe, mas azar pra sempre não. E um amor não pode te doer a vida inteira, ele não vai me doer a vida inteira.
  Como o Antonio Fabiano Junior disse... "Continuamos histéricos, inseguros, com medos e nos achando feios, gordos e sem roupa. Sempre. Até que encontramos alguém. Alguém que não faz a gente precisar ser mais bonito para o mundo, [...]. Namoro é, de fato, quando a gente é abraçado por quem a gente gosta. E quando o outro gosta da gente do jeito que a gente é. Simples assim."

¹ Música do Skank, Acima do Sol.
13 de novembro de 2011

Só escreve mesmo quem já desistiu de viver...

. meia colorida - Amanda Machado

 Caminhar, pensar, imaginar... Três palavras tem um poder devastador sim! É que quando você se imagina com uma aliança no dedo você não quer se imaginar infeliz, mas eu imaginei, me imaginei muito infeliz. Comecei a lembrar de tudo que começou e nunca terminou e ainda mais de tudo que nem começou, ou de tudo que só terminou. Uma vida cheia de casos eu vou carregar (isso me deu vontade de escrever uma música daquelas bem bregas onde você cospe a sua vida).
  E lá estou eu a olhar a mão esquerda e ver uma aliança que não existe. Estou a imaginar um casamento defeituoso, cheio de palavras confusas, conversas confusas, atitudes confusas, brigas confusas, e um "eu" que nem sabe por que se casou. Estou imaginando o pior baseado em...? Nada. Não estou me baseando em nada, e daí ressurge das cinzas os meus encontros defeituosos como o meu casamento que não existe. Eu só vejo os defeitos.
 Os meus casos passageiros são tão marcantes quanto as suas histórias de ex-namorados. São marcantes porque eu faço questão de marcar o gado que vocês insatisfeitos com as dúvidas nomearam de sentimentos. Sentimentos, o que é isso mesmo? Prefiro continuar a me dedicar à pecuária. E o gado, marcado no meu couro, reflete essa minha imaginação perigosa, minha aflição e afeição por tudo que vai dar errado.
 Confusões à parte é melhor concluir o meu pensamento louco, minhas lembranças fúteis e a minha imaginação devastadora dizendo que eu não sei que fim se deu à minha aliança imaginária, já que as lembranças foram mais fortes e fizeram com que eu me esquecesse de imaginar. Somos todos assim, o real nem sempre é mais forte que o ideal, mas nesse caso, nem um, nem outro.

Conclusão: Só escreve mesmo quem já desistiu de viver.
7 de novembro de 2011

Um ano se passou...

. meia colorida - Amanda Machado

Um ano faz toda a diferença. Eu não imaginava que ia estar assim. Há um ano eu não imaginava que uma pessoa que eu jurava levar pela vida toda seria agora mais um desconhecido do que outra coisa, e que alguém que eu achava que nunca saberia que eu existia, seria conversa frequente. Algumas coisas, e algumas pessoas que eu prometi amar, foram para longe, hoje eu já não as consigo tocar.
Seth Cohen* tem toda razão, há um ano eu não imaginava que Marissa estaria tão solitária, já eu, era fácil imaginar. Uma pessoa que tem tendência a neurose e a solidão, não sabe se imaginar ao redor das pessoas por um longo tempo. Uma pessoa neurótica como o Seth não sabe se imaginar feliz, e eu também não sei, e uma pessoa com tantos problemas e uma família totalmente desarranjada não pode querer ser feliz, né Marissa?
Algumas vezes concluimos que a nossa felicidade e o bem estar só dependem de nós mesmos, e é verdade, mas ver os problemas dentro da nossa casa - e ser o problema - afetam a nossa maneira de ver os relacionamentos também, e talvez seja mais fácil, é mais fácil não se engajar em relacionamentos mais sérios. Não é medo, é realmente egoismo, eu não quero me gastar. E ser egoísta pode ser solução para muitas coisas.
Os relacionamentos assim como na televisão não são perfeitos, são cheios de defeitos e de incertezas, isso porque são entre pessoas e pessoas não são perfeitas, e assim como na televisão os relacionamentos acabam, os laços se rompem e promessas passam a ser pouco ou quase nada. As pessoas que vamos levar para a vida toda não existem, mas algumas passam boa parte da vida com você, e isso já é suficiente.

*Talvez eu esteja revendo as temporadas de The O.C.
17 de outubro de 2011

A tragédia do começo

. meia colorida - Amanda Machado


O começo é sempre dramático. É sobre tragédia, dor, cansaço, morte. O começo é cheio de esperança e cheio de apelo pelo fim. O começo é o desespero dos que começaram. No começo tudo dói, tudo é difícil e complicado. O começo é a parte onde tudo é cansativo, mas nunca se cansa. Nunca cansa de começar. O fim é duro, pobre, ruim mesmo, e ainda assim começa de novo, o novo fim.
Começar é ter esperança, sempre. As vezes é tolo, mas começamos porque ainda queremos tentar algo novo, ou não. Ou não. É melhor ficar repetindo do que continuar.
O começo é sempre trágico. E você se mata quando decide começar. Eu começo, tu começavas, ele começou, nós começáramos, vós começarias, e eles começarão. É sempre assim. Se você não começa é porque está terminando. A busca pelo novo começo, que pode ou não ser um recomeço, é sempre como uma nova aventura. Tem o outro e tem você, e tem você querendo o outro, e o outro as vezes te querendo também. Tem você se derretendo, e tem a outra parte intacta, ou tem os dois se derretendo.
O começo nem sempre é puro, nem sempre é amor, nem sempre é alguma coisa, as vezes de tanto não ser, se torna. O começo nem sempre é bom, nem sempre é só seu, nem sempre é seu. O começo nem sempre é começo, já pode começar acabando. O começo pode ser bem  gostoso, ou ser calmo, ou ser violento, ou assustador, ou fantástico. Começo pode ser surpresa, se você escolher assim. O começo é sempre de luta.
O inusitado é eu estar começando. Divido a minha esperança por um ótimo começo.


Please don't ask me where
Where you think I've been
I've been a lot of places

But this could be my win 


- Meet me at the corner; Red Hot Chili Peppers